Entenda a diferença entre relatório selecionado e conjunto forense auditável, incluindo arquivos UFD, UFDX, UFDR, hashes e documentação técnica.
Em síntese
Pontos principais desta análise
- Relatório interpretativo e material que serviu de base à análise cumprem funções diferentes.
- UFD, UFDX e UFDR são formatos associados a fluxos de ferramentas; sua presença, isoladamente, não comprova regularidade.
- Auditabilidade depende também de documentação, origem, hashes, versões, filtros e condições de acesso.
Relatório não é sinônimo de conjunto examinado
Um PDF normalmente apresenta informações selecionadas, organizadas e convertidas para leitura. Ele pode ser útil para comunicar achados, mas não necessariamente contém todos os artefatos, metadados, relações e registros existentes no material que originou a análise.
Quando existe questionamento concreto sobre integridade, contexto ou seleção, a revisão precisa alcançar os dados e a documentação suficientes para conferir como o resultado foi produzido.
O que representam UFD, UFDX e UFDR
Essas extensões aparecem em fluxos de ferramentas de extração e análise de dispositivos móveis. Dependendo da ferramenta e do procedimento, podem representar arquivos de definição, conjuntos extraídos, relatórios ou estruturas utilizadas para abrir e revisar o caso.
O nome do formato não garante, por si só, que houve aquisição completa, integridade ou cadeia de custódia adequada. É necessário verificar a relação entre dispositivo, método, arquivos gerados, relatório, hashes e documentação.
O entendimento do STJ em um caso de 2026
No AgRg no AgRg no HC 1.041.340/RS, a Quinta Turma manteve determinação de acesso à íntegra das extrações e à documentação técnica. O caso envolvia alegações específicas de manipulação e disponibilização restrita a PDFs e áudios selecionados.
A decisão não deve ser convertida em fórmula automática para qualquer processo. Seu valor técnico está em reconhecer que uma seleção pronta pode não oferecer os elementos necessários para um exame independente quando a integridade ou a completude são concretamente questionadas.
Documentação que permite compreender a extração
Podem ser relevantes a identificação do aparelho, condição de recebimento, método de desbloqueio, tipo de aquisição, ferramenta e versão, data e fuso horário, operador, logs, erros, hashes, diretórios gerados, filtros e procedimento de armazenamento.
Também é necessário saber se o relatório foi produzido diretamente do conjunto preservado, se houve importação ou conversão e se os arquivos disponibilizados permitem reproduzir as consultas relevantes.
O exame independente não significa alterar a evidência
O acesso técnico pode ocorrer em ambiente controlado, sob guarda institucional e com procedimentos definidos. O objetivo é permitir verificação, busca, correlação e reprodução sem comprometer o material preservado.
A análise deve registrar o que foi efetivamente recebido e quais limitações permanecem. Se o conjunto estiver incompleto ou não puder ser aberto, essa condição precisa ser documentada antes de qualquer conclusão sobre o conteúdo.
Fontes primárias
Documentos consultados
Referências acessadas para a elaboração e verificação deste conteúdo. A aplicação ao caso concreto depende do objeto e do material efetivamente disponível.

